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Somos energia em movimento - 4

Esse é o quarto post, de uma série de 6 postagens, sobre o artigo:

Bioenergia, Energia Humana e Possíveis Utilizações para o Bem-Estar e Saúde das Pessoas

Autoria: Geni Aparecida do Carmo Cruz


Energia, do Misticismo à Física Moderna


Uma boa forma de trazer a abordagem do tema energia do universo religioso e místico para o da física, talvez seja o de buscar um pensamento de Heisenberg, pois, palavra por palavra nele encerra-se a intenção desse escrito.

Assim vejamos o que ele disse:

Na história do pensamento humano os desenvolvimentos mais fecundos ocorrem, de um modo geral, quando duas correntes totalmente distintas se encontram. Estas correntes podem radicar em zonas bastante diferentes da cultura humana, em tempos ou meios culturais diferentes, ou até em diferentes tradições religiosas, assim, se de fato se chegar, a encontrar, ou seja, se de fato são pelo menos aparentadas que uma verdadeira relação possa ter lugar, só se pode esperar que novos e estimulantes progressos se sigam (WERNER HEISENBERG apud CAPRA, 1989).


Segundo esse autor a influência da física moderna ultrapassou a influência da tecnologia e atingiu patamares referentes ao domínio do pensamento e cultura, onde deu lugar a uma revisão profunda da existente concepção de universo e da nossa relação com ele.

O século XX através da exploração do mundo atômico e subatômico desvelou uma insuspeitada limitação das ideias clássicas. Uma revisão radical de muitos conceitos básicos levando a outro modo de pensar sobre o tempo, espaço, causa e efeito.

Tais elementos fundamentavam nossa visão do mundo ao nosso redor e, com sua radical transformação, consequentemente, toda nossa visão do mundo começou a mudar (CAPRA, 1989).


Para ele a física moderna tem por base as teorias da relatividade e a quântica, conduzindo a uma nova visão da natureza, essa agora é mais sutil, sagrada e ‘orgânica”.

O ideal de uma descrição objetiva da natureza precisa ser abandonado junto com os principais conceitos da visão newtoniana.

Mas, a nova física traz paradoxos difíceis de ser aceitos de imediato, levou muito tempo para chegar-se a perguntas certas e evitarem contradições.

Houve grande dificuldade em aceitar a não solidez dos átomos, o fato de que não eram indestrutíveis e sim constituídos por vastas regiões de espaço no qual partículas extremamente pequenas se moviam.


Dependendo da perspectiva, as unidades subatômicas apareciam ora como ondas ora como partículas, ou seja, possuíam uma dupla natureza.

Dentro dessa direção diz Heisenberg que o século XIX foi direcionado por uma confiança crescente no método científico, na racionalidade precisa e no ceticismo contra tudo que diferisse desse esquema fechado da época.


Cita como exemplo o caso da religião.


Esclarece que a física moderna em certo ponto reforçou este comportamento cético, mas em conjunto a essa posição, endereçou sua atitude cética contra a superestimação dos conceitos tidos como precisos e, até mesmo contra o ceticismo.

Ao propor que se fosse cético a respeito de qualquer tipo de ceticismo, segundo ele, a física moderna pode ter aberto uma porta de condução a uma visão mais ampla referente a relação entre mente humana e a realidade.


Tal abertura, em certa medida, poderia propiciar a reconciliação entre as tradições passadas e as novas linhas de pensamento.

Com isso, seria mais fácil a adaptação ao conceito quântico da realidade.

A física moderna, embora somente uma parte, é muito marcante para o processo histórico geral que tende a uma ampliação do nosso mundo presente (HEISENBERG, 1987).

O desenvolvimento maior acontece com Max Planck e sua descoberta de que a energia irradiada por um corpo quente não era emitida continuamente, mas sob a forma de “pacotes de energia”.


Einstein denomina esses pacotes de energia de “quanta” e reconhece neles o aspecto fundamental da natureza. Postula a respeito da luz e da irradiação eletromagnética – o quanta de luz, origina o nome da teoria quântica (CAPRA, 1989).

Físicos das décadas de 1920 e 1930 confirmaram que a matéria é na verdade uma forma de vibração de onda, aquilo que a física quântica chama de “dualidade onda-partícula”.

Tais insights permitem um entendimento totalmente novo do nosso corpo, pois, além da sua forma física material, o corpo é um campo de energia dinâmica e pulsante.

Intrínseco ao nosso ser material existe o que poderia ser denominado de “corpo mecânico quântico”, que é processo, energia e inteligência puros.

Nesse último, teríamos suficiência ou insuficiência de energia e através dele a possibilidade de solucionar a ausência de energia.


Chopra (1998) relembra que com exceção dos físicos quânticos estamos acostumados a pensarmos o corpo físico como algo sólido e a mente como imaterial, uma forma de pensar que dificulta a compreensão de que mente e corpo pode interagir um com o outro.

Mas que tão logo se compreenda que a estrutura aparentemente material do corpo é simplesmente pura energia, fica claro que o pensamento e a matéria são essencialmente semelhantes.


Para física quântica, por exemplo, não existe muita diferença entre as flutuações de pensamento que surgem dentro do campo unificado e as vibrações de onda originadoras das partículas que constituem o corpo humano.

Em síntese, seus pensamentos são eventos quânticos, vibrações sutis do campo, influenciando profundamente todas as funções do seu corpo.


Continua...

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