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ESTILO DE VIDA NÔMADE!

Porque eu decidi ser nômade?


De alguns anos para cá, escutei com frequência minha mãe dizendo: “meu filho, você está igual um cigano”.

Essa nossa brincadeira começou porque nos últimos 4 anos, morei em 8 locais diferentes no Brasil, sendo 5 desses só nos últimos dois anos.


Acredito que o nome mais correto para minha situação não seja cigano. Sendo professor de Educação Física e não conseguir ver mais essa área sem relacionar com o desenvolvimento e a evolução da espécie humana, em meus estudos atuais me vi com uma forte relação com nossos ancestrais, entendi que não tem muito a ver com ciganos, na verdade é um resgate, até então inconsciente de um estilo de vida cujo qual moldou a história da humanidade, um estilo de vida nômade.


Mas como assim?


Vamos lá, deixa eu te explicar.


Para entender a natureza do ser humano, e assim conseguir identificar o que moldou nossa espécie assim como ela é hoje, precisamos voltar no tempo, há alguns milhares, milhões de anos, para entendermos todos os aspectos, desde sociais, físicos, geográficos que estávamos inseridos, pois foi justamente nesse período em que nosso corpo sofreu todos os processos de evolução aos quais somos adaptados até hoje para sobreviver.

No período pré-histórico, éramos caçadores-coletores, ou seja, dependíamos de achar frutas, vegetais e animais para nossa sobrevivência, sendo assim, nós procurávamos um local onde tivesse alimento, explorávamos esse local, e quando a escassez tomava conta, saíamos a procura de outro local que nos possibilitasse a prática da coleta e da caça. A esse estilo de vida, onde nos alojávamos temporariamente, explorávamos a região e depois partíamos em busca de um outro local, dá-se o nome de nomadismo.


Logo, éramos nômades, caçadores e coletores.


Atualmente, não precisamos mais sair caçando animais e coletando plantas e frutas por aí, muito pelo contrário, abrindo um aplicativo e com alguns toques, a comida chega em nossa casa.


A caça agora é outra. Procurar por pessoas pelas quais as experiências ao longo da vida, e o conhecimento adquirido em anos dedicados aos estudos em determinada área de atuação ajudem um ao outro em seu processo de desenvolvimento como ser humano. Ser uma contribuição, somar na vida do outro, impactar de uma forma positiva a vida de pessoas que compartilham de um pensamento de mundo próximo ao teu, isso é fantástico, e ao mesmo tempo possível, graças ao mundo digital.






Finalizei uma leitura recentemente de um livro incrível chamado “Sapiens: uma breve história da humanidade”. Um contexto histórico sobre tudo que aconteceu, o que vem acontecendo e o que pode acontecer com a espécie humana, nos causando uma reflexão intrigante sobre o que estamos fazendo, como estamos contribuindo, ou não, para a evolução de nossa espécie.


Se você é um apaixonado pela vida, assim como eu, sugiro demais esse livro, pois abriu minha cabeça, contribuiu significativamente para um entendimento mais amplo sobre nossa espécie, realmente é uma leitura é indispensável.

Um dos subtítulos desse livro, e um assunto cujo qual venho dedicando horas de leitura sobre pensadores que já deixaram sua contribuição sobre o tema, é o seguinte: qual o sentido da vida?

Talvez diante dessa pergunta, muitas outras percam o sentido ou a importância em ser estudadas, por tamanha complexidade, por tamanha relevância e ao mesmo tempo, analisando friamente, por não ter sentido nenhum.


Cientificamente, não temos fatos que comprovem que a vida tenha um sentido. É como um livro fechado, onde na capa está escrito: Vida. Mas assim que você o abre, todas as páginas estão em branco, só esperando que o autor inicie a história. O incrível desse questionamento é chegarmos a um pensamento que nós podemos escrever a história que quisermos escrever sobre a nossa própria vida. Podemos e devemos ser o autor da nossa própria história, e não para por aí. Além do autor, o protagonista da história, pois triste seria contarmos a história da nossa vida sempre na terceira pessoa.


O que quero dizer, é que podemos dar o sentido que bem entendermos para o rumo de nossas vidas. Em plena “crise dos 30”, depois do famoso retorno de saturno, decidi dar uma reviravolta em minha vida. O sentido agora, a minha missão é ajudar pessoas que estão com dificuldades de sair do sedentarismo, pessoas que por muito tempo ficaram asfixiadas pela matrix, vivendo sua rotina em modo automático, tanto que esqueceram de cuidar da sua própria saúde, talvez por falta de tempo, talvez por não querer sair da zona de conforto, ou as vezes por não saber como fazer diferente.


Eu fui essa pessoa, absorvida pelo sistema, mas felizmente minha área de atuação é justamente a área que as pessoas que estão vivendo em modo automático menos priorizam. Um estilo de vida ativo e saudável era o maior marketing que eu poderia fazer. Mas eu vivo esse estilo de vida, não é apenas uma estratégia de marketing, e é sobre isso que eu quero conversar com vocês.


Atualmente, um estilo de vida sedentário é o maior fator de risco para saúde de nossa espécie. A busca por um conforto extremo tem tornado a nossa população a cada dia mais doente. Um dado que comprova esse fato é de 75% de todas as mortes no mundo são causadas por doenças crônicas. Hoje, metade da população brasileira é sedentária, e a cada ano que passa, os índices de sobre peso, obesidade, diabetes, só crescem. Em contrapartida, o número de nutricionistas e Profissionais de Educação Física e de toda área da saúde em geral, só crescem. Existe algo de errado nessa matemática. Temos mais informação, mais profissionais, e ainda assim, os números estão subindo.


No livro Sapiens, é alimentada nossa imaginação, a ponto de refletirmos a cada página, mas ainda está longe de mostrar tudo que de fato está acontecendo, o próprio título diz, uma breve história, pois para contar tudo que é omitido, toda informação que é manipulada, talvez uma enciclopédia não daria conta.


A boa notícia, é que quando o assunto está relacionado a mudanças de hábito, estilo de vida ou ao tratamento dessas doenças, em alguns casos pode ser mais simples do que parece, dependendo do estágio atual que o indivíduo se encontra, por exemplo, já tem um estilo de vida ativo, mas ainda tem hábitos que gostaria de mudar, ou então tem um estilo de vida sedentário a cura pode começar instantaneamente. Mas não confunda simples, com fácil. Uma mudança de hábitos pode gerar uma série de desconfortos, e sair da zona de conforto nem sempre é tão fácil como gostaríamos que fosse, mas é necessariamente fora dessa zona que a vida de fato segue o rumo da evolução.


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